O exercício da Palhaçaria
A palhaçaria entrou na minha vida no ano de 2011, por meio de um processo de capacitação na ONG Operação Arco-Íris, que trabalha em parceria com diversos hospitais na cidade de São Paulo.
Me tornei palhaça voluntária e fiz centenas de visitas a pessoas no ambiente hospitalar. Pude ver de perto o impacto positivo da arte na saúde mental de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Foram anos de estudo com mestres e mestras da palhaçaria, desenvolvendo técnicas de escuta, conexão, ludicidade e improvisação. Para além das técnicas, eu investiguei como a figura do(a) palhaço(a) facilita o acesso à autenticidade em mim e no outro com quem me relaciono.
Nesses anos de trajetória, em parceria com outros palhaços e psicanalistas, pude criar e conduzir oficinas de palhaçaria e imersões de experimentação artística, com ênfase na busca por espontaneidade e autoconhecimento.
E o que isso tem a ver com a psicanálise? Muita coisa!
Nem sempre a palavra dá conta. Muitas vezes, no encontro terapêutico, o psicanalista precisa fazer uso do humor e de uma certa capacidade brincante para viabilizar o encontro com seu paciente. Uma sessão psicanalítica é um encontro vivo, no tempo presente, sem roteiro previamente estabelecido. Nesse sentido, a palhaçaria tem muito a contribuir para tornar a psicanálise mais criativa e efetiva na prática clínica.
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